A hora da estela de Clarice Lispector

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Reprodução: livraria cultura
Na obra da autora brasileira Clarice Lispector a história da Menina nordestina Macabéa é narrada em terceira pessoa, pelo ponto de vista de Rodrigo S.M., sendo que, o próprio narrador também conta um pouco de si e divide como se sente em relação a ela. Portanto durante a leitura deve-se atentar a narrativa sobre os dois personagens para não confundir as características de um com a do outro.
A alagoana, órfã desde os dois anos de idade foi criada pela tia Beata, única parente que tinha, no entanto que gostava de castigar a menina. Macabéa já adulta, veio com a tia para o Rio de Janeiro, a tia acabou falecendo um pouco depois de ter chegado ao estado, todavia antes de morrer conseguiu arrumar um emprego para a menina como datilografa. A garota foi mantida no emprego, apenas porque seu chefe teve pena de demiti-la, pois como datilografa ela deixa a desejar, sempre escrevendo com erros de ortografia.
A vida da menina magra, de pele amarelada e manchada é marcada pela monotonia, de quem faz a mesma coisa todo dia e vive sem nenhum objetivo, apenas vive.
O narrador em vários momentos do livro declara que a ama. O único que a ama. Ela teve um namoro desinteressante com Olímpico, o paraibano não se sabe o porquê se interessa pela garota, talvez seja por ela ter-lhe custado tão pouco, mas depois de um rápido namoro que não os levou a lugar algum, ele a trocou pela Glória, colega de trabalho de Macabéa, que é o total oposto da garota e que aos olhos do nordestino era alguém de classe comparada a pobre coitada da Macabéa. Ele era ambicioso tinha sonho de ficar rico se tornando político, e a carioca Glória lhe pareceu mais adequada pois ele a considerava uma moça de classe.
Alguns podem notar que os personagens secundários são citados poucas vezes, mas a abstração dos outros personagens do livro se dá porque toda a vida de Macabéa está sendo contada em terceira pessoa.
 Como leitora me senti desconfortável durante a leitura em relação as atitudes de Macabéa, claramente percebi que foi intencional da parte da autora provocar tais sensações em seus leitores, em todo o livro vai haver palavras depreciativas que descrevem a moça, suas ações e seus pensamentos, sendo fácil “odiá-la”, todavia devido a literatura contemporânea ao qual somos bombardeados com personagens incríveis, com uma vida e feitos extraordinários, Macabéa se torna encantadora por não ser tudo isso, ela é uma personagem de essência simples.
Clarice Lispector (imagem retirada do google)
Clarice é uma autora que não precisou “enfeitar” demais a historia ou a sua personagem para tornar este um bom livro, um livro que com toda certeza vale a pena ser lido e admirado, portanto recomendo este livro a todos.


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